sexta-feira, 2 de julho de 2010

A culpa é de quem?



Com uma participação fuleragem na copa do mundo desde o primeiro jogo, o Brasil agora se vê "surpreso" devido à eliminação pela Holanda e o povo quebra a cabeça pra saber de quem é a culpa.

Não vou entrar em detalhes de jogos e coisas do tipo até porque fui tachado como pessimista quando "apostei" com colegas que se o Brasil ganhasse de 1 a 0 da Laranja estaríamos mais que felizes. Por quê? Porque o Brasil fez papel ridículo nesta copa.

Chegaram quase sem humildade, assim como Dunga, e menosprezaram o resto do mundo, futebolisticamente falando. Se tivessem botado na cabeça que Holanda não é Coréia do Norte e que a Coréia não era "apenas" a Coréia, teríamos vencidos as Laranjas e goleado os orientais, semelhante a Portugal.

Para muitos seria muito apenas chegar nas 4° de finais como nós chegamos, mas pro Brasil não. Nós temos o peso e a tradição que vai além da força popular, que estão estampadas em 5 estrelas em nosso peito.

Desde o inicio pegamos times fracos, tivemos um jogo de camaradagem com Portugal, só se via compadre em campo e nada foi feito. Jogo mais feio do mundial, diga-se de passagem.

A falta de humildade desde o início fez com que toda a seleção arrumasse desculpas e culpados pelos erros. Hora era Jabulani, hora era o vento, hora era o gramado ou o frio, como se esses "argumentos" fossem exclusivo do País do Futebol. Sem falar nas "Juca kfouri Culpation" que o próprio postou em seu blog minutos depois da eliminação do Brasil.

E agora? De quem é a culpa? É só o que brasileiro faz de melhor, procurar culpa pra se livrar de responsabilidades.

Fico triste pela eliminação do País na copa, mas de certa forma não contava com o titulo de Hexa. Na verdade, queria que qualquer país "não favorito" ganhasse, pra mostrar pra um monte de gente por ai que enquanto uns fazem as coisas com o orgulho do passado, há quem corra atrás pro reconhecimento futuro.

Lembro até de uma conversa com um amigo, que também pode ser tachada de pessimista, quando ele disse; "Até prefiro que o Brasil não ganhe essa copa porque senão vai ser só festa e vão esquecer que a próxima nós sediaremos e a responsabilidade vai ser trocada pela emoção". Não foram exatamente essas palavras, mas lembro que concordei e ainda concordo; vide os, já, possíveis indícios de superfaturamento nas obras da Copa 2014.

Nossa memória é curta demais, somos muito bons em alardes e achamos que o jeitinho brasileiro pode mudar o mundo. De fato, tem mudado, Nosso País fica mais rico, mais informatizado, mais isso ou mais aquilo e no fundo continua o mesmo...

Mas, e a culpa? É de quem?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Interrogações e Reticências.


Míseros 57.024 minutos separam esta postagem de nosso ultimo contato aqui no blog. Mais de 57mil minutos depois retorno a este para falar de algo desconheço completamente. Parece muito tempo, mas só estive ausente por 2.376 horas desde a criação do Volúveis e Voláteis . Faz algum tempo que entro, querendo falar sobre algo, mas as idéias me fogem. Os assuntos me fascinam e pouco tempo depois já me desinteressam. Confesso que faz um tempo que algumas pessoas me cobram algo novo aqui e acho que com o tempo que passou até esqueceram que pediram, ou simplesmente nem lembram mais que isso aqui existe.

Será que você lembra tudo que fez nesse ¼ de ano em que nada foi postado? Lembra, ao menos, de algum acontecimento memorável? Se você fez algo diferente? Concretizou um sonho? Sonhou algo novo?Aprendeu com o tempo? Ou apenas viu o tempo passar? Habitualmente ele se arrasta mesmo. Dependendo de onde estamos isso acontece rápida ou lentamente, mas acontece sempre. Dentre essas perguntas tenho algumas respostas, próprias, e nesses longos 99 dias tenho observado algo; tenho observado o tempo. Sempre tive fascínio por ele, mas aprendi a apreciar o fator de ser incompreensível. E isso antes me causava certo desconforto, devido a minha curiosidade e ceticismo.

Sei lá... O tempo é tão concreto e intocável. É todo passado, pouco presente e nenhum futuro. É pouca paciência e é muita pressa. É ganho... É perda... É convicção... É incerteza... São as reticências. Você tem tempo? Falta-lhe tempo? Quanto se perde? Quanto se acha? Quando se cede? Quando se caça? Tempo é dinheiro? Como se ganha? Como se gasta? Quando é dádiva? Quando é praga? É o equilíbrio de tudo?Ou de nada? Há como saber a proporção?

Sei lá, esse tempo todo distante; milhares de horas, quase uma centena de dias são apenas três meses. Depende de que prisma olhamos. E você? Tem tido tempo pra observar o tempo? O seu tempo. Ou estou perdendo o meu? Ah, chega de questões. Seja em horas, anos ou momentos, não o vou mais contar, nem medir, nem me frustrar. Prefiro viver o presente embrulhado no agora e que o tempo faça seu papel... no tempo que me restar.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Um plágio de Baudelaire.


Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder: É hora de se embriagar!
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas!
De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Intempérie


Nossa doença?

Ah, talvez seja algo sem cura, inidentificável.

Talvez nunca estivéssemos saudáveis então.

Talvez eu fale da saúde dessas pessoas normais; com empregos comuns... e desejos estáveis... e gostos parecidos... e felicidades instantâneas... e sorrisos afeiçoados... e conceitos constantes... e sonhos comedidos... e amores natalinos... e comoções coletivas...

Talvez eu tema os seres usuais; com personalidades definidas... com inimigos não declarados... de atrações impulsivas... e moléstias virtuais... e crueldades pudicas... e amores e sexos e orgasmos e sentimentos polaróides... e fé validadas, atômicas, destrutivas... comuns e anormais, normais e incomuns... muitos plurais e pouca vida.

Talvez eu fale aos anormais; enfermos instáveis... excêntricos e maníacos... com gestos estranhos... seres fulgentes e excêntricos ... com crenças desnecessárias ... descrenças irrelevantes... maldades inofensivas... oportunos e propositais... realistas e utópicos, desproporcionais.

Talvez admire esses tipos atípicos; com tempo próprio... pensamentos presentes... inflamáveis e influenciáveis... horizontais e verticais ... circulares e desenformados... sendo o que querem ser... todos em um,sem ser ninguém, ao mesmo tempo... lúdicos e sádicos... privados e públicos... raros e vivos... muito vivo, por isso tão raro...tão singular.

Talvez... talvez... talvez...

Talvez isso incomode; tantas repetições mirando incertezas.

Talvez aos sedentos; por convicções e frustrações... ambas mascaradas... misturadas, num beijo só; utópico e surreal... como o tempo; imprevisível.